Rezador fala sobre estrutura religiosa Guarani Kaiowá

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O rezador Cassiano Romero fala sobre os rituais e símbolos religiosos

A fé e a religiosidade dos povos indígenas do sul de Mato Grosso do Sul é revelada pelo Ñande Ru (rezador) Cassiano Romero, da aldeia Rancho Jacaré, em entrevista ao blog da FUNAI. Em frente à casa de reza da aldeia, sob a proteção do chiru, ele fala sobre os rituais e crenças:

BF– Em quais bases a religião dos Guarani Kaiowá se estrutura?

CR– A natureza é a base. Ñane Ramõi é Deus, significa “Nosso grande avô eterno” na língua dos brancos. Ñande Ru (Nosso pai) é o filho dele, mas também o rezador. É a junção entre o mundo espiritual e o mundo material. Nos rituais, o espírito de Deus age através de nós (rezadores), para fazer o bem e realizar a cura, que também vem da natureza, através de ungüentos. O m’baraká (espécie de chocalho) é usado para retirar as energias ruins e espantar os espíritos maus. A gente agita ele com vários movimentos ao entorno da pessoa que está sendo rezada e isso ajuda a levar embora as energias ruins.

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A casa de reza é protegida pelo chiru

BF– E este símbolo retangular que fica na frente das aldeias e está presente aqui também, na frente desta casa de reza?

CR– Este é o chiru. É proteção. Afasta os ventos fortes, as tempestades, as energias ruins e o mal. Ele protege a aldeia e a casa de reza.

BF– E as casas de reza, são todas iguais? Têm algum padrão específico? O que acontece dentro delas?

CR– Cada comunidade constrói sua casa de reza. Não precisa ser igual. Esta foi construída sem qualquer prego ou parafuso, é toda trançada e de encaixe. Aqui fazemos nossos rituais e rezas. Nossas curas também. Aqui em Rancho Jacaré não tem morte, não tem violência porque a gente reza bastante (se referindo as mortes de indígenas ligadas à disputa de terras).

BF– Como uma pessoa pode se tornar rezador?

CR– A natureza escolhe. A pessoa tem que demonstrar, desde criança, que tem espírito sábio e pacífico. Então, o Ñande Ru mais velho ensina as rezas e as curas para os jovens, que vão se preparar até serem adultos.

BF– Hoje em dia existe influência de outras religiões nas aldeias, qual é sua opinião sobre isso?

CR– Eu respeito a religião branca. Mas não se pode servir a duas igrejas. Ou se serve a Ñane Ramõi ou é fiel à igreja branca, mas nunca às duas. Ñande Ru é de Ñane Ramõi e as curas e bondades são feitas por Ele, não pelos homens. Por isso não se pode cobrar pelas curas e bondades. Não se pode cobrar o que vem de Ñane Ramõi. Os Guarani Kaiowá têm sua religião, segue os que querem.

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por funaipontapora

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