PF se reúne com a FUNAI para pacificar retomada de Arroyo Korá

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Foto: Juliana Melo

Uma equipe da Polícia Federal de Campo Grande está reunida, nesta manhã, 13, com servidores da FUNAI, CRPP de Ponta Porã, para avaliar a situação da retomada Guarani Kaiowá da área indígena Arroyo Korá, no município de Paranhos.

Durante o final de semana, um servidor da FUNAI esteve monitorando a situação do acampamento indígena e hoje foi marcada uma reunião entre Polícia Federal, FUNAI e lideranças indígenas, com o objetivo de evitar novo ataque de pistoleiros. Nesta manhã a situação foi considerada estável pelos órgãos de segurança mas, na sexta-feira, 10, o acampamento foi alvo de pistoleiros e o indígena João Oliveira está desaparecido.

A FUNAI acionou a Força Nacional, a Polícia Federal e solicitou atendimento médico na manhã do dia 10, além de enviar servidores para dar assistência aos indígenas. Durante o dia, as forças de segurança constataram a ação dos pistoleiros, que dispersaram com a chegada da polícia. A investigação do desaparecimento do indígena João Oliveira também foi intensificada hoje e a FUNAI já disponibilizou cestas de alimentos para o acampamento: “A Fundação está cumprindo com seu papel que é prestar atendimento aos indígenas e acionar as forças de segurança para garantir a estabilidade no local e realizar as investigações necessárias à apuração dos fatos”, diz o coordenador da regional da FUNAI em Ponta Porã, Silvio Raimundo da Silva.

A retomada

No último dia 10, cerca de 400 indígenas Guarani Kaiowá retomaram a área Arroyo Korá, no município de Paranhos, Sul de Mato Grosso do Sul. A área já havia sido identificada como território indígena e foi homologada em 2009, mas permanecia ocupada por fazendeiros devido a uma liminar concedida pelo ministro Gilmar Mendes, do STF, Supremo Tribunal Federal, suspendendo os efeitos da homologação até que se julgue o mérito da questão.

A história se repete

Em novembro de 2011, o cacique Nísio Gomes foi assassinado por pistoleiros durante um ataque ao acampamento indígena Guayviry, no município de Aral Moreira. Recentemente, a Polícia Federal terminou o inquérito, cumprindo 18 mandados de prisão, mas o corpo do cacique ainda não foi encontrado. O acampamento estava localizado numa fazenda cuja propriedade está sendo questionada na justiça, sendo o ataque motivado por questões fundiárias. O temor da comunidade Guarani Kaiowá é que a história esteja se repetindo, com o desaparecimento do indígena João Oliveira.

Os números da disputa

De acordo com levantamentos da FUNAI, CRPP de Ponta Porã, entre 1980 e 2012, foram registrados 28 assassinatos de indígenas motivados pela questão fundiária no Sul de Mato Grosso do Sul. Pesquisas indicam que, na região, ocorrem mais da metade dos assassinatos registrados entre indígenas em todo o país e, segundo o Ministério Público Federal, desde o ano 2000, correm processos referentes a 15 conflitos graves envolvendo indígenas de áreas não demarcadas e fazendeiros. Além disso, de acordo com dados da CRPP de Ponta Porã, entre 1980 e 2012, mais de 100 processos foram instaurados para resolver questões fundiárias entre proprietários de terras e indígenas, no sul do estado.

A região sul de Mato Grosso do Sul, sob jurisdição da CRPP de Ponta Porã, abriga 21 terras indígenas e 35 áreas, entre aldeias, reservas e acampamentos. 32 mil indígenas, das etnias Guarani e kaiowá, vivem na região.

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por funaipontapora

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