Aty Guasu foi realizada na aldeia Panambi Lagoa Rica

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o Conselho da Aty Guasu, composto por lideranças, professores e rezadores indígenas, debateram principalmente sobre a questão fundiária
Foto: Amanda Cury

Cerca de 500 indígenas Guarani Kaiowá participaram da Aty Guasu (Grande Assembléia) realizada entre os dias 28 de novembro e dois de dezembro, na aldeia Panambi Lagoa Rica, no município de Douradina, a 35 quilômetros de Dourados, sul de Mato Grosso do Sul.

No período, o Conselho da Aty Guasu, composto por lideranças, professores e rezadores indígenas, debateram sobre assuntos como a situação das terras Guarani Kaiowá e planejamento e articulação da luta pelos direitos indígenas. Realizado pelo Conselho da Aty Guasu, com o apoio da Funai e de organizações não governamentais, o evento foi composto por rituais de acolhida, informes, palestras, denúncias, exposição de fotografias e vídeos.

No dia primeiro de dezembro, a Aty Guasu contou com a participação de uma comitiva do Governo Federal integrada pela presidente da Fundação Nacional do Índio, Marta Azevedo e seus assessores, representantes do Ministério da Justiça, Casa Civil e Secretaria Geral da Presidência da República, Secretaria de Direitos Humanos, Advocacia Geral da União, Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Conselho Nacional de Justiça e Secretaria de Patrimônio da União.

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“…devolve o pasto ao fazendeiro e a terra ao índio”, disse a liderança indígena, Elpídio Pires.
Foto: Amanda Cury

Os indígenas informaram à comitiva, os problemas que afetam as comunidades guarani kaiowá na região, tais como deficiências nas áreas de saúde, educação, nutrição e segurança. A problemática fundiária foi bastante abordada pelos integrantes da Aty Guasu: “No passado, o Governo entregou nossas terras para os brancos. E agora tem que devolver, porque o índio não vai ficar sem terra. Esse pasto, que está aí em toda a região, é do fazendeiro, mas a terra que está embaixo dele é do índio. Então, devolve o pasto ao fazendeiro e a terra ao índio”, disse a liderança indígena, Elpídio Pires.

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“Que nosso sangue não seja derramado como essa terra que cai no chão agora”, disse o Ñande Ru, Getúlio Juca
Foto: Amanda Cury

A violência histórica contra os indígenas no sul de Mato Grosso do Sul foi exemplificada pela homenagem feita aos guarani kaiowá que morreram pela terra. Lideranças como Marçal Tupã’i e Nisio Gomes foram lembrados.

Derramando um punhado de terra no chão, diante dos cartazes com fotografias dos companheiros mortos, o rezador Getúlio Juca, da aldeia Jaguapiru, falou sobre as perdas na luta pelos territórios tradicionais: “Por causa dessa terra, nossos companheiros tombaram. Foi por causa dessa terra que eu derramo aqui, igual ao sangue dos nossos guerreiros. Por causa dessa terra vermelha, que é nosso lugar sagrado. Por causa dessa terra que é nosso sustento e nossa vida. Que nenhum mais tombe. Que nosso sangue não seja derramado como essa terra que cai no chão agora”, disse.

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por funaipontapora

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