Mutirão encaminhou cerca de 10 mil solicitações de documentos civis para indígenas em MS

A ação cadastrou pedidos de registros civis como RG, CPF e carteira de trabalho e deve entregar os documentos até o mês de junho.

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O mutirão de documentação, realizado nos dias 15 e 16 desse mês, cadastrou indígenas para solicitação de documentos civis nas aldeias Amambai, Jaguari e Limão Verde, localizadas no município de Amambai, sul do estado. A ação foi desenvolvida pelo CEESRAD, Comitê Gestor Estadual para a Erradicação do Sub-Registro Civil de Nascimento e Ampliação do Acesso à Documentação Básica de MS, com o apoio da FUNAI, da SESAI e de outras quatro instituições, além da Força Nacional.

Cerca de 50 servidores públicos e voluntários realizaram cadastro para confecção de Registro Administrativo de Nascimento Indígena (RANI), Certidão de Nascimento, RG, CPF e Carteira de Trabalho. Além da solicitação de documentos, os indígenas foram vacinados contra quatro tipos de gripe, inclusive a Influenza h1n1.

De acordo com a Funai, o objetivo da ação é facilitar o acesso a serviços públicos de saúde, educação e benefícios sociais como o bolsa família e o direito a aposentadoria. A indígena Jane Lopes foi ao mutirão para pedir a primeira via do RANI do filho, Thiago Martin, de cinco meses de idade: “É importante ter o RANI, porque depois posso tirar todos os outros documentos do meu bebê. Quero que ele tenha tudo, Certidão de Nascimento Civil, RG e CPF”, disse a indígena.

Segundo o CEESRAD, a documentação solicitada nos dias 15 e 16, deve ficar pronta em até 60 dias, quando um outro mutirão deve ser realizado nas mesmas aldeias, para a entrega dos documentos solicitados. “Não vejo a hora de pegar minha Certidão de Nascimento. Nunca tive documento civil, fazia tempo que eu queria, mas era difícil ir à cidade para tirar o documento, porque é longe e tem que ir a pé. Agora foi bom, vai melhorar a vida com o documento. Quando chegar vou ficar feliz”, disse a indígena Alda Ribeiro, de 63 anos.

por funaipontapora

Lideranças indígenas se reuniram na aldeia de Sombrerito

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Cerca de 300 pessoas participaram da Aty Guasu Feminina.
Foto: Amanda Cury

A Aty Guasu Kuña, ou Grande Assembléia Feminina Indígena, reuniu cerca de 300 pessoas na aldeia de Sombrerito, no município de Sete Quedas, MS, entre os dias 03 e 07 desse mês.

Lideranças, educadoras, agentes de saúde e rezadoras participaram de palestras, plenárias e debates sobre temas que envolvem, principalmente, a participação da mulher na comunidade indígena. Temas como “A luta pela terra”, “Saúde e direitos da mulher indígena” e “Políticas Públicas” foram abordados durante os cinco dias do evento. Rituais espirituais e danças marcaram a tradição indígena na assembléia.

Lideranças masculinas e da Aty Guasu Jovem também participaram do evento, que teve apoio da Funai de Brasília, de Ponta Porã e de Dourados, além da presença da Força Nacional, da Polícia Federal e de organizações não governamentais. “Esse evento é Kuñangue Guarani Há Kaiowa Aty Guasu Irundyha, que significa que é feito pelas mulheres, mas é aberto à participação de todos, para fortalecer nossa comunidade. Nós, mulheres, queremos o melhor para nossos filhos e nosso povo. Por isso estamos aqui, reunidas. Antes os homens não deixavam a gente falar na Aty Guasu, mas agora é diferente. Antes faltava coragem para enfrentar o marido. Agora nós, mulheres, falamos e lutamos junto com nossos maridos e assim, somos mais fortes”, explicou a indígena Alda Silva.

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Indígenas rezaram e protestaram pelos paretes mortos na luta pela terra.
Foto: Amanda Cury

No dia 06 representantes da Funai participaram da plenária informando sobre programas de sustentabilidade e os GTs, Grupos de Trabalho, que estão no cone sul do estado para terminar os trabalhos de identificação e delimitação de Terras Indígenas. No mesmo dia, um documento foi elaborado com os resultados das discussões e reivindicações das comunidades indígenas. Além disso, rezadores reuniram os participantes em torno do local onde o indígena Dorival Benites foi assassinado durante a retomada da área no ano de 2005. Diante da cruz que marca a morte de Benites, os indígenas rezaram e protestaram contra as mortes de seus parentes. O menor de idade que morreu atropelado no município de Dourados no mês passado e o adolescente que foi morto em Laguna Caarapã, por um produtor rural no mês de fevereiro, também foram lembrados com tristeza: “Vocês já viram uma cruz como esta em fazenda? Não, porque nunca o índio matou o fazendeiro. Mas o guarani kaiowa tem uma cruz dessa em cada acampamento, porque nosso sangue escorre por essa terra sem que ninguém faça nada”, disseram os rezadores.

por funaipontapora