Indígenas investem esforços em sistemas agroflorestais em MS

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Foto: Leosmar Antônio
Indígenas fazem manejo de sistema agroflorestal na aldeia Mãe Terra, em Miranda – MS

Representantes das etnias Guarani Kaiowa e Terena estão sendo capacitados para a implantação de sistemas de agricultura orgânica consorciada com reflorestamento em Mato Grosso do Sul.

As Ações são executadas pela Funai, através do GATI, Projeto de Gestão Ambiental  e Territorial Indígena. Tem como objetivo fortalecer as práticas indígenas de manejo, uso sustentável, conservação dos recursos naturais e a inclusão social dos povos indígenas, consolidando a contribuição das TIs, Terras Indígenas, como áreas essenciais para a conservação da fauna e flora, além da riqueza cultural indígena.

O Ministério do Meio Ambiente e o PNUD, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, são apoiadores do projeto que abrange TIs em todo o país. Cada área atendida pelo Gati tem conselheiros indígenas que atuam diretamente no andamento do projeto e são capacitados no intuito de se formarem multiplicadores do conhecimento: “O trabalho começa pequeno, mas forte. Todas as viagens e oficinas trazem frutos e vão se materializando nas comunidades, esse é o objetivo”, diz a consultora do Gati, Ingrid Weber.

Oficinas e práticas

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Foto: Amanda Cury
Indígenas trabalham na horta comunitária no Centro de Formação dos Povos da Floresta, Acre

No início do ano, indígenas de MS participaram de oficinas no interior do estado de São Paulo. Em julho, representantes guarani kaiowa e terena passaram 10 dias nos estados do Acre e Roraima visitando sistemas agroflorestais indígenas. No Acre conheceram o Centro de Formação dos Povos da Floresta, em Rio Branco. A instituição foi fundada e é mantida pela Comissão Pró Índio. Criado em 1994, o centro forma agentes agroflorestais indígenas, atendendo a diversas etnias do Estado.

Em Roraima os indígenas visitaram a TI Raposa Serra do Sol, onde conheceram os sistemas de plantio e participaram da feira de ciências e sementes, oportunidade em que trocaram experiências e sementes tradicionais.

No final de setembro foi a vez dos Terena sediarem as oficinas, na aldeia Mãe Terra, município de Miranda, com a participação dos conselheiros guarani kaiowa. Os indígenas participaram de atividades práticas de plantio consorciado entre hortaliças, raízes, legumes e árvores. Para o conselheiro terena Sr. Inacio, “A comunidade está muito feliz com esse compartilhamento de idéias entre as etnias. Estamos no crescimento de idéias e trabalho. Estamos crescendo com o projeto Gati. Vejo as pessoas interessadas e isso é muito bom”, diz. Já o conselheiro guarani kaiowa, Jorge Gomes, destacou a questão ambiental: “O Estado deveria mudar de nome, deveria se chamar Capim Grosso do Sul, ou Cana Grossa do Sul, porque mato, esse não tem mais. Foi tudo destruído. O índio quer a natureza. Temos que criar nossa própria forma de plantio, mantendo nossas tradições e respeitando o meio ambiente. O índio quer o mato de novo e o projeto está sendo importante para isso”, diz.

Até o final do ano, oficinas de compostagem, fertilização natural, controle orgânico de pragas e plantio consorciado vão acontecer em terras guarani kaiowa e também em terras terena.

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por funaipontapora

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