30 anos sem Marçal de Souza

“Sou uma pessoa marcada para morrer, mas por uma causa justa a gente morre”, teria dito Marçal de Souza, um dia antes de seu assassinato.

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Em meio à luta pela Terra Indígena Yvy Katu, no município de Japorã, que resultou em 13 novos acampamentos no mês de outubro desse ano, os indígenas pararam para reverenciar um símbolo da resistência dos povos indígenas, Marçal de Souza, assassinado há 30 anos.

No dia 25 de novembro de 1983, um tiro na boca calou uma das maiores vozes Guarani Kaiowa, em Mato Grosso do Sul. Marçal de Souza ou Marçal Tupã-Y, Pequeno Deus, no idioma Guarani, foi um dos fundadores do Movimento Indígena Brasileiro e a principal liderança indígena em MS a denunciar, nos anos 70, a expropriação de terras indígenas, a exploração ilegal de madeira, a escravização de índios e o tráfico de crianças indígenas.

Em 1980 discursou ao Papa João Paulo II, durante a primeira visita do Pontífice ao Brasil: “Nossas terras são invadidas, nossas terras são tomadas, os nossos territórios são invadidos… Dizem que o Brasil foi descoberto. O Brasil não foi descoberto não, o Brasil foi invadido e tomado dos indígenas do Brasil. Essa é a verdadeira história”, disse. E no mesmo ano, liderou a luta pela Terra Indígena Pirakuá, no município de Bela Vista – MS. A luta resultou na morte de Marçal, vítima de vários disparos de arma de fogo, um deles atingiu a boca. Tupã-Y caiu na frente de casa, na aldeia Campestre, município de Antônio João. Acusados, os ruralistas Líbero Monteiro e Rômulo Gamarra, foram absolvidos em julgamento realizado em 1993.

A Terra Indígena Pirakuá foi homologada em 13 de agosto de 1992, obtendo registro no SPU, Secretaria de Patrimônio da União. Sua área de 2.384 hectares é habitada por 307 indígenas. 30 Tekohas – lugar onde se vive – ainda são reivindicados pelos indígenas no sul de Mato Grosso do Sul.

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por funaipontapora